
Editora UFPR • Publicado 2018
Descolonizando metodologias
Pesquisa e povos indígenas
Sinopse
Uma pesquisa pode se apresentar como neutra quando suas perguntas, categorias e resultados se inscrevem numa história de conquista? Linda Tuhiwai Smith, intelectual maori, transforma essa inquietação no problema fundamental de Descolonizando metodologias. A autora não se limita a criticar os preconceitos de determinados pesquisadores: examina a ligação estrutural entre conhecimento acadêmico, imperialismo e os procedimentos por meio dos quais a Europa e suas instituições definiram o que deveria ser considerado verdadeiro, civilizado, legítimo ou digno de estudo.
O livro revisita a história da pesquisa ocidental a partir da experiência dos povos indígenas. Viagens de exploração, classificações raciais, arquivos, museus, narrativas antropológicas e projetos administrativos aparecem como práticas capazes de converter populações vivas em objetos de conhecimento sem reconhecê-las como sujeitos produtores de teoria. A questão de quem observa jamais se separa de quem formula as perguntas, quem conserva os materiais, quem interpreta as respostas e quem se beneficia do resultado. Sob a aparente universalidade de um método podem persistir relações desiguais de autorização e extração.
Mas a originalidade do ensaio não reside exclusivamente na denúncia dessa genealogia. Sua segunda dimensão é afirmativa: pesquisar pode se tornar uma prática de autodeterminação quando comunidades indígenas participam da definição de agendas, prioridades, procedimentos e critérios de validade. Smith considera as disputas em torno da memória, da língua e do território ao lado dos esforços para recuperar formas próprias de conhecimento e reconstruir vínculos entre pesquisa e responsabilidade coletiva. A tradição kaupapa Māori ocupa aqui um lugar importante como experiência situada de transformação metodológica e política.
Descolonizar a pesquisa não significa substituir toda exigência de justificação por uma identidade fechada, nem declarar inválido todo conhecimento produzido fora dos povos indígenas. Significa examinar as condições históricas que conferiram autoridade unilateral a determinadas instituições e abrir a prática científica a relações de reciprocidade, reconhecimento e controle comunitário. A pergunta não é apenas como descrevemos os outros, mas com que direito e para benefício de quem o fazemos.
Publicado originalmente em 1999, o livro inaugurou uma conversa duradoura entre antropologia, educação, pensamento pós-colonial e direitos coletivos. As edições posteriores incorporaram novos debates e materiais, motivo pelo qual é indispensável identificar com precisão a edição citada. A proposta conserva uma força intelectual singular: exige compreender a produção de conhecimento como relação social dotada de responsabilidades concretas, e não apenas como conjunto abstrato de técnicas.
Dados do livro
- Autor
- Linda Tuhiwai Smith
- ISBN
- 9788584801336
- Ano
- 2018
- Editora
- Editora UFPR
- País de publicação
- Brasil
- Tradução
- Roberto G. Barbosa
- Format
- Libro impreso; 239 páginas
- Edition
- Edición brasileña de 2018