
n-1 Edições • Publicado 2022
O cogumelo no fim do mundo
Sobre a possibilidade de vida nas ruínas do capitalismo
Sinopse
O que um cogumelo pode nos ensinar sobre a economia mundial e as possibilidades de viver depois da devastação? Anna Lowenhaupt Tsing toma o matsutake — cogumelo valorizado no Japão, coletado em florestas alteradas pela atividade humana — como ponto de entrada para uma investigação que aproxima antropologia, ecologia, história e comércio internacional. O cogumelo no fim do mundo sustenta que compreender nosso tempo exige mais do que seguir as rotas do capital: é necessário prestar atenção aos encontros instáveis entre espécies, pessoas e paisagens que nenhum planejamento consegue controlar por completo.
A autora reconstitui uma cadeia comercial singular. O matsutake surge em territórios afetados por desmatamentos, deslocamentos e conflitos, é procurado por coletores com diferentes trajetórias migratórias e adquire novos significados quando circula por mercados especializados até se tornar um presente de alto valor no Japão. Em cada ponto desse percurso mudam os critérios de preço, os vínculos sociais e a própria ideia de trabalho. A mercadoria global é inseparável de mundos locais que não se deixam reduzir a uma fórmula econômica universal.
Tsing utiliza a noção de acumulação por salvamento para examinar como o capitalismo extrai valor de atividades e relações que não organiza inteiramente. Diferentemente de uma fábrica padronizada, a coleta depende de saberes práticos, ciclos florestais e encontros imprevisíveis. A precariedade desses processos não é uma exceção transitória: faz parte das condições materiais de muitas vidas contemporâneas. O livro convida, assim, a observar formas de sobrevivência sem romantizar a insegurança de quem as sustenta.
A investigação também desloca a atenção para a colaboração entre espécies. Cogumelos e árvores constituem associações ecológicas que persistem em paisagens profundamente modificadas. Tsing não apresenta essas relações como uma harmonia natural restabelecida, mas como agenciamentos contingentes, marcados por perturbações, desigualdades e oportunidades parciais. Diante de narrativas que só admitem o progresso linear ou o colapso total, propõe aprender a reconhecer temporalidades múltiplas, dependências e futuros abertos.
Publicado em 2015, O cogumelo no fim do mundo é uma intervenção original na antropologia do capitalismo e nas humanidades ambientais. Sua pergunta não promete uma salvação fácil: que modos de conhecer, conviver e assumir responsabilidades são possíveis quando já não podemos imaginar que a vida avance sobre um cenário estável, intocado e disponível para a exploração?
Dados do livro
- Autor
- Anna Lowenhaupt Tsing
- ISBN
- 9786586941968
- Ano
- 2022
- Editora
- n-1 Edições
- País de publicação
- Brasil
- Tradução
- Jorgge Menna Barreto; Yudi Rafael
- Format
- Libro impreso; 412 páginas
- Edition
- Edición brasileña