
Bayard • Publicado 2004
O que fazer com nosso cérebro?
Título alternativo: Que faire de notre cerveau ?
Sinopse
O que significa descobrir que nosso cérebro pode se transformar se as sociedades em que vivemos parecem exigir, acima de tudo, adaptação? Catherine Malabou coloca essa tensão no centro de O que fazer com nosso cérebro?, publicado originalmente em francês em 2004. Seu ponto de partida é a plasticidade neuronal: o sistema nervoso não está fixado de uma vez por todas por um programa imutável, mas participa de processos de modificação, reorganização e formação de conexões ao longo da experiência.
A filósofa resiste, contudo, a converter essa descoberta em uma celebração fácil da capacidade de se ajustar ao ambiente. Plasticidade não equivale à mera flexibilidade. O flexível se acomoda às condições que encontra; o plástico também pode receber uma forma, produzir novas formas e, em determinados contextos, romper uma configuração anterior. Essa diferença conceitual torna-se política quando o discurso empresarial contemporâneo exalta redes, versatilidade, mobilidade e adaptação como virtudes obrigatórias do indivíduo.
Malabou examina uma coincidência inquietante: enquanto as neurociências descrevem um cérebro descentralizado, dinâmico e aberto à sua própria história, a linguagem da organização econômica exige trabalhadores capazes de se reinventar incessantemente. Até que ponto a imagem científica do cérebro ilumina novas possibilidades de liberdade? E quando começa a funcionar como legitimação de formas renovadas de obediência? Seu argumento não consiste em reduzir uma estrutura social aos neurônios nem em usar a biologia como destino. Interroga, antes, a relação entre conhecimentos do sistema nervoso, representações da subjetividade e formas históricas de governo.
O livro desloca, assim, uma pergunta aparentemente técnica para um problema de responsabilidade coletiva. Ter consciência da plasticidade cerebral não basta se essa consciência apenas nos prepara para suportar exigências externas. A questão é se podemos participar ativamente da construção de nossas formas de vida. Entre filosofia e neurociências, Malabou formula uma crítica da docilidade adaptativa e reivindica pensar a transformação sem confundi-la com a obrigação de se ajustar.
Dados do livro
- Autor
- Catherine Malabou
- ISBN
- 9782227473058
- Ano
- 2004
- Editora
- Bayard
- País de publicação
- Francia
- Format
- Rústica, 169 páginas
- Edition
- Primera edición francesa, 8 de abril de 2004