
Editora Vozes • Publicado 2000
Ética da libertação. Na idade da globalização e da exclusão
Sinopse
Pode uma ética reivindicar universalidade quando a ordem histórica que a proclama exclui de seus benefícios uma parcela significativa da humanidade? Enrique Dussel responde deslocando o lugar a partir do qual começa a reflexão moral. Em Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão, publicada em 1998, a pergunta fundamental não surge de um sujeito abstrato, mas da corporeidade vulnerável daqueles que padecem fome, violência, dominação ou condições que impedem o desenvolvimento da vida.
A obra começa com uma reconstrução histórica que rejeita apresentar a tradição filosófica europeia como o único percurso legítimo da razão ética. A modernidade é situada em um sistema-mundo atravessado por relações de centro e periferia, acumulação e exclusão. Nessa perspectiva, Dussel submete a exame os grandes sistemas morais modernos: dialoga criticamente com Kant, Rawls, Apel e Habermas, ao mesmo tempo que encontra em Marx, Lévinas e na teoria crítica instrumentos para interrogar aquilo que as construções formais tendem a deixar de fora.
Sua proposta articula uma exigência material decisiva: produzir, reproduzir e desenvolver a vida humana em comunidade. Esse princípio não elimina a necessidade de argumentação, validade intersubjetiva e factibilidade; exige, pelo contrário, reuni-las em instituições e práticas capazes de responder a necessidades históricas concretas. A legitimidade de uma ordem não pode ser avaliada apenas pela coerência de seus procedimentos se seus efeitos produzem vítimas.
A segunda parte formula uma crítica ética a partir daqueles que ficaram excluídos dos consensos vigentes. O surgimento da vítima não constitui um recurso sentimental, mas um questionamento racional e prático do sistema que naturaliza seu sofrimento. A ética se prolonga, assim, em práxis de libertação: construção de alternativas, responsabilidade coletiva e transformação possível de estruturas opressivas.
A singularidade do livro está em disputar o próprio significado do universal. Diante da pretensão eurocêntrica de falar por todos, Dussel não abandona a universalidade; procura reconstruí-la a partir da vida concreta e da palavra daqueles que a ordem dominante relegou às suas margens.
Dados do livro
- Autor
- Enrique Dussel
- ISBN
- 9788532621436
- Ano
- 2000
- Editora
- Editora Vozes
- País de publicação
- Brasil
- Tradução
- Ephraim Ferreira Alves; Jaime A. Clasen; Lúcia Mathilde Endlich Orth
- Format
- Libro impreso, aproximadamente 671 páginas
- Edition
- Traducción brasileña publicada inicialmente en 2000; ISBN también usado en reediciones